sábado, 24 de agosto de 2013

como avaliar um timoneiro psicodélico, por Timothy Leary

Timothy Leary (1920-1996),phD,  apresentou-se, certa manhã, em uma sala de aula, como filósofo e cientista. Logo retificou: antes disso, era um humanista. Leary foi um dos maiores símbolos vivos da contracultura nos Estados Unidos da America (do país, disse:"the greatest mafia of all"); psicólogo, escritor, ex-professor de Harvard e estudioso do sistema nervoso humano por quase toda a vida, ele defendeu o uso do LSD como instrumento psicoterapêutico potencialmente miraculoso, se tomado em condições propícias (set and setting*); participou pioneiramente de grupos de exploração da consciência por décadas; desenvolveu a brilhante Teoria dos Oito Circuitos Cerebrais**; escreveu sobre cibercultura, sobre migração espacial, sobre a experiência psicodélica, sobre a evolução da Inteligência - a fórmula learyana para ampliar, desenvolver e estimular inteligência era I²= Inteligência estudando Inteligência***. Considerado, nos anos 60, o inimigo público número 1 dos EUA por Richard Nixon e pela comunidade judaico-cristã, Leary foi preso e condenado a uma pena altíssima por portar uma quantidade ínfima de maconha mas fugiu cinematograficamente da cadeia com ajuda de amigos (cena descrita em minúcias na sua autobiografia Flashbacks). Chegou a ser perseguido em vários países, mas, após algum tempo e alguns acordos legais, foi deixado em paz pelo aparelho estatal repressivo estadunidense. Idolatrado por milhares de jovens, Timothy Leary sempre repudiou cultos ("I hate followers"). Seu lema é atualíssimo para todas as épocas: PENSE POR SI MESMO, QUESTIONE A AUTORIDADE. 



O excerto abaixo foi tirado do livro Your Brain is God, do Leary. As perguntas são especialmente úteis àqueles que se aventuram na ingestão de entéogenos sem preparo e sem informação. 


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Toda vez que você ouvir alguém falando sobre liberdade interior e substâncias expansoras da consciência,  a favor ou contra, faça essa perguntas. 

·         O(a) expert está falando por experiência direta ou repetindo clichês? Teólogos e intelectuais frequentemente depreciam a “experiência”  em prol do “imperativo moral”. Não demora para o clássico debate virar um caso de “experiência” versus “inexperiência.”
·         As palavras dele(a) florescem de um ponto de vista filosófico-científico? Ele(a) está motivado(a) pelas questões existenciais básicas ou protegendo investimentos sociopsicológicos? Ela(e) está se arriscando rumo à selvagem santidade ou mantendo uma conformidade exemplar às convenções de sua época histórica?

·         Como o argumento dele/dela soaria se fosse ouvido em uma cabana na selva africana, em Atenas na época de Péricles, em um monastério tibetano, em um povoado à beira do Ganges, ou em uma sessão liderada por algum grande líder religioso? Ou em outro planeta habitado por uma forma superior de vida? Como soaria para outras espécies de vida, como golfinhos ou até um pau-brasil? Em outras palavras, quebre seu “fone de ouvidos” rotineiro e aprenda a ouvir com os ouvidos de outras criaturas de Gaia.

·         Como o debate/a conversa iria soar se você tivesse menos de uma semana de vida, estando menos comprometido com assuntos mundanos? (O grupo de pesquisa liderado por Leary recebia dúzias de pedidos de pacientais terminais, curiosos para experienciar estados ampliados/extraordinários de consciência).

·         O ponto de vista apresentado amplia horizontes ou estreita? Você está sendo encorajado(a) a explorar, experimentar, unir-se a viagens colaborativas de descobertas? Ou você está sendo pressionado a se tolher, proteger seus ganhos pessoais, jogar com segurança, aceitar a autoridade de alguém que sabe mais e melhor?

·         As expressões evocadas pelo(a) expert são positivas, pró-vida, espirituais, inspiradoras, baseadas na confiança em suas potencialidades? Ou ele/ela tem a mente obcecada pelo perigo, terror, preocupações administrativas, materiais, ou desconfiança básica em seu potencial? Não há nada na vida para se temer; nenhum jogo filosófico pode ser perdido.

·         Se ele/ela é contra o que ela/ele chama de “métodos artificias de iluminação”, pergunte o que constitui natural. Palavras? Rituais? Costumes tribais? TV por assinatura?

·         Se ele(a) é contra assistência bioquímica, onde ela(e) traça a linha divisória? Ele/ela usa nicotina? Álcool? Penicilina? Vitamina em cápsulas?

·         Se o(a) expert é contra a neurotecnologia de substâncias entéogenas, do que ele/ela é a favor? Se ele/ela te proíbe a chave psicodélica da revelação, o que ele/ela te oferece em troca?"


  
*Set, de mindset, é o estado mental em que se encontra o indivíduo (humor, expectativas, confiança, ansiedade, etc); setting é o ambiente ao redor, a realidade circundante e todos os componentes materiais e imateriais presentes (muitas pessoais em um apartamento em cidade grande? multidões na praia? poucas pessoas em uma casa no campo? música tá tocando? e o astral das pessoas? ou estás sozinho? tudo influi)
**http://nokhooja.com.br/temas-1/os-circuitos-neurologicos-de-timothy-leary/  -> As informações aqui estão amputadas. Não sugiro tirar conclusões precipitadas. Nas fontes originais, é dito como ativar/treinar cada circuito cerebral.
***Parte do acrônimo SMI²LE = Space Migration, Intelligence Increase&Life Extension

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