domingo, 4 de maio de 2014

Como encher o saco de alguém com prolixismo (atenção: isto não é um receituário!)

-do de um modo, assim, desviante, mas eu quis dizer que, deixe-me expressar melhor, na verdade falar de qualquer modo é falar, antes e depois, quase sempre e nunca nunca, entende? é, eu também não entendo, mas faça esse esforço, digo, não quis ser mandonista nem autoritário, nem pedinte e não que eu tenha pensado que você pensou o que eu estaria pensando iih! acabei dando voltas e, ademais, volto, mas veja, não a revista, é claro, o verbo “ver” no presente do subjuntivo, continuando, ou melhor, retomando o ponto que deixei solto, que não é precisamente solto a palavra para definir o que não concluí, porque nem sempre o começo gera um fim, às vezes o começo é um fim e...aonde eu quero chegar? em nenhum lugar, em particular, nem em público, a verdade é tentarmos, não que tentar pressuponha verdade, afinal, o que é verdade é tipicidade interrogativa filosófica, e nem é essa minha indagação, nem pretensão, nem qualquer forma de não ação, não me entenda mal entrementes...oh, esqueci! doravante irei propor aquelas práticas de autovigília, para não entortar tanto a comunicação, por que sinto que não estou me comunicando e seu rosto tá ficando cada vez mais vermelho, mas a exasperação nem sempre indica alguma coisa, certo, abstração, reticentismo, virgulação excessiva, mancha visual, prolixismo com todo a carga negativa do ISMO, divagação sem nexo, quase vejo o que pensas, mas reconheça que estou chegando a algum lugar, mesmo que não diga o que é esse lugar (pergunta estranha), nem como chegaremos, nem quando será, nem quem chegará nem porque chegaremos, e veja, isto é, observe, digo, olhe, aí foram respondidas as seis perguntas do lead jornalístico, e digo respondidas (era pra botar aspas para não confundir? perdão) porque as perguntas também são respostas, e não falarei "não é verdade?" ou né? ou não é mesmo? ou micromarcadores pedintes do gênero (era pra botar aspas nas outras também? agora já foi, deixa pra lá!), ansiosos por aquiescência social, e não, calma, não é psicologismo...não, não, não estou ansioso, nem imaginando perguntas nunca feitas, nem fazendo intercalações descabidas em uma frase-parágrafo, eitas!, li numa revista um dia desses, não qualquer dia, mas um dia desses, na verdade, li antes por aí que, ok, confesso que não li em nenhum lugar o que vou dizer, mas vou dizer mesmo assim, sim, não tenha dúvidas que irei sim dizer mesmo assim, direi que, a verdade, deixe-me corrigir ,a mim mesmo, claro, quem sou eu pra corrigir a verdade? estou dizendo que textos prolixos testam a paciência e se você continuar lendo-os por muito tempo pode levar a uma fragmentação descontínua da própria loucura, eu por exemplo, incumbido da missão de encher o saco posso continuar indefinitivamente, isto é, de forma não definitiva, quer dizer, que não cessará, melhor: não terminará, e falando de um modo assim, desviante, não ouviu? ok, vou repetir a última parte, falan-

Da deslógica à lógica: terrorismo auricular

Corpos agredidos, trânsito corporal, cor-pô! de cores e matizes poliversas. Agressões aceitas, saudadas, exigidas. Corpos agredidos por cai-caixas de som a décibeis antitímpanos. O rock se entreouve? não, se subouve. Audiência extática? parte da, mas a música é infra-audível. Trânsito corporal, sem engarrafamentos, silêncio epidérmico, vã energia vocálica. Aparelho fonador não produz phonos, bocas abrem, línguas mexem, músculos faciais rodopiam, mas o phonos foi abduzido pelo ruído eletrôcósmico que tudo envolve nos metros quadrados defronte ao palco em que se apresentaram as bandas na oitava edição da Noite do Desbunde Elétrico. Impressões de um ex-rockeiro, impressões de um quase-roqueiro estas. Êxtase da agressão não física, não simbólica. Agressão sensória&fisiológica extasiada. Como um “bate mais forte” da mulher na cama, corpos urram. E dançam as danças individualizadas do rock. Não é escape do prazer, e é; não é curtição genuína, e é; não é hedonismo musical, e é. Corpos que não agridem, ok, talvez agridam a pudicícia e a delicadeza in extremis. Falo como (ind)ígena ou (alien)ígena? Antilogia do prazer. A estética minimalista, simples, dark da physis do Estelita ganha ares frankesteineanos na pintura&na laje do banheiro masculino. Cheguei a tempo de (ou)ver Pé Preto do início e não fui até o final de Ex-Exus. Curti-as em certas músicas e as descurti noutras. Quase quatro horas a partir da meia-noite. Além-tempo desse não falo. (Professor de Lógica intervém, programado pelo Princípio da Clareza formulada pelo Grande Papai Dêcartt: Que é isto, blogueiro? Toda essa parafernália textual, concatenada por fragmentos obscuros, com referências vagas a uma noitada no Recife? Que é isto, blogueiro? Que resenha musical nem se atreve a ser, pelo que entendi. E essa mistura malfeita de grego com neologismos, desconstrução e ressemantização de palavras, ordem direta e indireta das sentenças? Nota ZERO! / Blogueiro do Paradoxo replica, reprogramado (reprogramating himself) pelo Princípio da Complexidade  do Édigar Morrán: Isto é percepção em palavras, tonto!, de uma mediação tecnológica terrorista. Avanço a tese de uma nova vertente do ramo: o terrorismo auricular, que floresce graças à ignorância que equaliza volume ultra-alto (claro: em aparato mal-equipado para suportar a alt-urra) à qualidade enlouquecedera (no bom sentido) do rock’n roll e de outras vertentes da musicalidade que devem ser ALTAMENTE ouvidas mesmo. As vítimas do terrorismo auricular são voluntárias e tem um perfil vário. Em comum, a crescente insensibilização auditiva.)