segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A Real História dos Chackras

Os seis fatos mais importantes que você nunca soube sobre os chackras

Por Hareesh

Nos últimos cento e poucos anos, o conceito de chackras, ou centros de energia sutil dentro do corpo, foi capturado pela imaginação ocidental mais do que virtualmente qualquer outro ensinamento da tradição do yoga. Ainda assim, como acontece com a maior parte dos conceitos que derivam de fontes em sânscrito, o Ocidente (com exceção de alguns poucos estudiosos e praticantes) tem falhado miseravelmente em apreender o que os chackras significavam em seu contexto original e como se deve realizar uma prática com eles. Este post busca retificar essa situação até um certo ponto. Se você está sem tempo, pode pular os comentários contextuais que estou pra fazer e pular direto para a lista dos seis fatos fundamentais sobre chackras que os iogues modernos desconhecem. (Veja o post-scriptum para uma definição precisa de "chackra").


Inicialmente, deixe-me esclarecer que por "Ocidente" não me refiro apenas à cultura europeia-americana mas também aos aspectos da cultura indiana moderna que são informados por essa matrix. Visto que, a essa altura do milênio, é praticamente impossível encontrar uma forma de ioga na Índia que não seja influenciada pelas ideias europeias&americanas sobre si, quando uso o termo "Ocidente" estou incluindo todos os ensinamentos do yoga na Índia de hoje existentes na língua inglesa.


Pois bem, vou te falar sem rodeios: em sua grande maioria, os iogues ocidentais compreendem praticamente nada sobre os chackras no tocante ao que os criadores do conceito consideravam importante. Se leres um livro como o famoso Rodas da vida: Um guia para você entender o sistema de chackras, de Anodea Judith, ou outros livros inspirados por este, tu não estás lendo um trabalho filosófico de yoga mas sim um trabalho de ocultismo ocidental, baseado em três fontes principais: 1) trabalhos ocidentais anteriores de ocultismo que pegaram emprestado termos em sânscrito sem realmente entendê-los (a exemplo de Os Chackras, escrito pelo teosofista C.W. Leadbeater em 1927) 2) a tradução falha de John Woodroffe (1918) de textos sobre os chackras escritos em sânscrito, em 1577 3) livros do século XX escritos por gurus indianos baseados nas fontes 1) e 2). Livros sobre chackras baseados em uma compreensão fina das fontes originais em sânscrito existem apenas no universo erudito.

"Mas isso importa?", iogues me perguntam. "Eu me beneficiei tanto do livro de Anodea Judith e outros livros similares, não leve isso de mim!" Não vou levar e não posso. Qualquer que seja o benefício que tenhas recebido, independentemente da fonte, é real se me dizes que é. Estou aqui apenas para te falar duas coisas: primeiro, quando autores ocidentais modernos escrevem sobre chackras afirmando que estão apresentando sabedoria antiga, eles estão mentindo - mas eles não sabem que estão, porque não podem garantir a validade de suas fontes materiais (já que não leem sânscrito). Segundo, para aqueles que estão interessados, estou aqui para saberes um pouco sobre o significado de conceitos iogues em seu contexto original (porque acontece que sou um estudioso do sânscrito e meditante que prefere as formas tradicionais). Somente tu podes avaliar se isso te beneficiará. Não estou reinvidicando que o antigo é intrinsecamente melhor. Não estou tentando argumentar que não há valor espiritual no ocultismo ocidental. Estou apenas aproximando a verdade histórica em palavras simples, tanto quanto posso. Portanto, vou começar agora: os seis fatos fundamentos sobre os chakras que os iogues modernos desconhecem.

1) Não há apenas um sistema de chackras na tradição original. Há vários



Há tantos! A teoria do corpo sutil e os centros de energias denominados cakras (ou padmas, ãdhãras, laksyas etc) provém da tradição do Yoga Tântrico, que floresceu entre os anos 600-1.300 D.C. e continua vivo atualmente. No Yoga Tântrico amadurecido (depois dos anos 900, aprox.), cada um dos ramos da tradição articulou um sistema diferente de chackras, e algumas ramificações articularam mais de um sistema. Sistemas de cinco chackras, de seis chackras, de sete, de oito, de nove, de dez, de quinze, de vinte e um, de vinte e oito e mais ainda foram ensinados, dependendo de qual texto tu se debruças. O sistema de 7-chackras (ou, tecnicamente 6 + 1) que os iogues modernos sabem a respeito é apenas um de vários, e tornou-se dominante por volta do século XVI (veja o ponto #4 abaixo).

 Agora, sei o que pensas - "Mas qual é o sistema correto? Quantos chackras existem de verdade?" E isso nos traz ao nosso primeiro grande mal-entendido. Os chackras não são como órgãos no corpo físico; eles não são fatos estabelecidos que podemos estudar como médicos-cirurgiões estudam as glândulas endócrinas. O corpo energético é uma realidade extraordinariamente fluida, como se espera de qualquer coisa que seja não-física e supersensível. O corpo energético pode apresentar, experiencialmente falando,um sem-número de centros de energia, a depender da pessoa e da prática iogue que ela esteja realizando.

Tendo dito isso, há alguns poucos centros que são encontrados em todos os sistemas - especificamente, no abdômen inferior, no coração e no topo da cabeça, porquanto esses são os três lugares no corpo onde humanos de qualquer parte do planeta experienciam fenômenos emocionais e espirituais. Porém, com exceção destes, existe uma variedade imensa nos sistemas de chackras encontrados na literatura original. Um não está mais "correto" do que o outro, exceto no tocante a práticas específicas. Por exemplo, se estás praticando com os cinco elementos, use o sistema de cinco chackras (veja o ponto #6 abaixo). Se estás internalizando a energia de seis diferentes deidades, use o sistema de seis chackras. Dã, certo? Mas esse pedaço crucial de informação ainda não alcançou o yoga no Ocidente.


Estamos apenas entrando no buraco do coelho, Alice. Queres aprender mais?


2) Os sistemas de chackras são prescritivos, não descritivos. 

Este talvez seja o ponto mais importante. Fontes na língua inglesa tendem a apresentar o sistema de chackras como um fato existencial, usando linguagem descritiva (como "o muladhara fica na base da espinha, tem quatro pétalas" e assim em diante). Mas na maior parte das fontes originais em sânscrito, não somos instruídos sobre o modo como as coisas são; é-nos oferecido uma prática iogue específica: temos que visualizar um objeto sutil feito de luz colorida, com o formado de uma lótus ou uma roda giratória, em um ponto específico do corpo, e então pronunciamos sílabas mântricas para um propósito específico. Quando compreendes isso, o ponto #1 passa a fazer mais sentido. Os textos são prescritivos - eles te falam o que deves fazer para atingir uma finalidade específica por meio de métodos místicos. Quando a fonte em sânscrito fala, em estilo elíptico, "lótus de quatro pétalas na base do corpo" devemos entender "o iogue deve visualizar uma lótus de quatro pétalas..." (Veja o ponto #5 para mais informações sobre isso). 

3) Os estados psicológicos associados com os chackras são completamente modernos e ocidentais.

Em incontáveis websites e em incontáveis livros, lemos que o muladhara chackra está associado com sobrevivênia&segurança, que o manipura chackra está associado com vontade de poder&autoestima, e assim em diante. O iogue educado deve saber que toda a associação de chackras com estados psicológicos é uma inovação ocidental moderna que começou com Jung. Talvez tais associações representem realidades experimentadas por algumas pessoas (contudo, ocorre usualmente em função do efeito priming*). Certamente não as encontramos nas fontes originais em sânscrito. Há apenas uma exceção da qual estou ciente, e trata-se do sistema de dez chackras de iogues músicos que falei em outro post. Mas, mesmo neste sistema do século XIII, não encontramos cada chackra associado a uma emoção específica ou estado psicológico; em vez disso, cada pétala do lótus de cada chackra é associado a uma emoção ou estado em particular, e parece não haver um padrão por meio do qual poderíamos rotular o chackra como um todo. 


Isso não é tudo. Praticamente todas as associações encontradas no livro da Anodea Judith não têm base em qualquer fonte indiana. Cada chackra, fala-nos Judith, está associado com uma certa glândula, certas malfunções corporais, um certo metal, mineral, planta, planeta, exercício de yoga, carta de tarô, um sefirot do misticismo judeu (!) e um arcanjo da tradição cristã (!!). Nenhuma dessas associações existe nas fontes originais. Judith, ou seus professores, fizeram-nas com base na percepção de similaridades. O mesmo vale para os óleos essenciais e cristais que outros livros e websites afirmam corresponder a certos chackras.  (Devo assinalar que Judith é uma pessoa adorável cujo trabalho beneficiou muitos. Isto não é pessoal)


Não estou dizendo que colocar um certo tipo de cristal em seu umbigo quando estás com problemas de autoestima e imaginar que o cristal está purificando o manipura chackra não o ajuda a se sentir melhor. Talvez ajude, depende da pessoa. Enquanto essa prática certamente não é tradicional, e não foi testada através de gerações (ora, é justamente isso o que determina o valor da tradição, na verdade), os deuses sabem que há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar o meu cérebro racional.

Mas, a meu ver, as pessoas devem saber quando o pedigree de uma prática é de algumas décadas, e não de muitos séculos. Se a prática tem valor, então não é necessário falsificar sua procedência, certo?

4) O sistema de 7-chackras não deriva de uma escritura, mas de um tratado escrito em 1577.

O sistema de chackras que os iogues ocidentais seguem provém de um texto sânscrito escrito por um homem chamado Purnananda Yati. Ele finalizou este texto (o Shat-Chakra-Nirupana ou "Explanação dos Seis Chackras", que é na verdade o capítulo seis de um trabalho mais extenso) em 1577. 

Em uma versão anterior desse post, chamei o sistema de 7-chackras 'tardio e de alguma forma atípico'. Depois de alguns dias, percebi que havia me equivocado - uma versão mais simples do mesmo sistema de 7-chackras pode ser encontrada em uma escritura póstuma do século XIII chamada Sarada-Tilaka ("Ornamento de Sarasvati")embora esse texto deixe bem claro que existem múltiplos sistemas de chackras (como o sistema de 12 ou 16 chackras). Entretanto, boa parte dos iogues (tanto ocidentais quanto indianos) conhecem o sistema de 7-chackras somente por meio do trabalho de Purnananda (século XVI), ou melhor, por meio de uma tradução relativamente incoerente e confusa feita por John Woodroffe em 1918. Ainda assim, esse texto é importante para muitas linhagens na Índia atualmente. Teria sido assim se não houvesse a tradução de Woodroffe? Duvido bastante, visto que há pouquíssimas pessoas na Índia hoje que leem sânscrito fluentemente.

Mais importante, porém, é o fato de que a própria tradição considera os textos das escrituras infalíveis e os seres humanos, falíveis. Portanto, é irônico que iogues modernos tratem o sistema de 7-chackras de Purnananda como divinamente revelado. Pessoalmente, não creio que qualquer coisa escrita em palavras pode ser considerada infalível, mas se queres reverenciar um ensinamento iogue como divinamente revelado, faz mais sentido fazer isso com um texto que alega tal possibilidade - como as escrituras tântricas originais (compostas antes de 1300). É evidente que Purnananda baseia seu trabalho em escrituras prévias, antigas, mas isso não significa que ele as tenha compreendido perfeitamente (veja mais no ponto #6 abaixo). Em resumo, o sistema de 7-chackras que tu conheces fundamenta-se em uma tradução falha de um texto que não é uma escritura. Isso não quer dizer que seja inválido, apenas problematiza sua hegemonia.

Perceba que o Budismo Tântrico (isto é, do Tibete) costuma preserva formas antigas e, de fato, o sistema de 5-chackras é dominante nessa tradição (assim como o sistema fundamental dos 3-bindus). Para conhecer o sistema de 5-chackras tal como é encontrado no tantra clássico, leia meu livro Tantra Illuminated. 

5) O propósito de um sistema de chackras é funcionar como modelo para nyãsa

Para os autores originais, o principal propósito de qualquer sistema de chackras é funcionar como modela para nyãsa, o que significa "instalar" mantras e deidades (energias) em pontos específicos do corpo sutil. Então, apesar de milhares de pessoas estarem fascinadas com os chakras hoje em dia, quase ninguém está usando-os para atingir os propósitos aos quais foram destinados. Está tudo certo. De novo, não estou aqui para dizer que ninguém está errado, mas sim para educar aqueles que estejam interessados.


As mais notáveis características dos sistemas de chackras presentes nas escrituras originais são essas duas: 1) os sons místicos do alfabeto sânscrito estão distribuídos nas petálas de todos os chackras de um sistema e 2) cada chackra está associada com uma deidade hindu específica. Isso se deve ao fato de que o sistema de chakras é, antes de mais nada, um modelo para nyãsa. Na prática da nyãsa, tu visualizas uma sílaba mântrica específica em um específico local de um específico chackra no seu corpo energético enquanto silenciosamente entoa o som. Claramente, essa prática está imersa em um contexto cultural específico no qual os sons da linguagem sânscrita são vistos como vibrações singularmente poderosas capazes de trazer liberação espiritual e benefícios mundanos através de meios mágicos. Invocar a imagem e a energia de uma deidade específica de um chackra específico é também uma prática cultural particular; ainda que iogues ocidentais possam entender o que essas deidades significam, e a prática tem potencial para ser significativa para eles também, apesar de que provavelmente não tão significativa quanto para alguém que cresceu com essas deidades como ícones paradigmáticos gravados em seu subconsciente.


As chamadas deidades causais (karana-devatã) figuram vastamente em todo sistema de chackras. Essas deidades formam uma sequência fixa. Do chackra mais baixo até o mais elevado, elas são Indra, Brahma, Vishnu, Isvara, Sadasiva e Bhairava, embora o primeiro e o último não apareçam com frequência, dependendo do número de chackras. A última deidade da lista das deidades causais não é nunca a deidade definitiva de um sistema, pois essa deidade (seja quem for) está entronada no sahasrara ou acima da coroa da cabeça (que, tecnicamente, não corresponde a um chackra, visto que os chackras, por definição, são perfurados pela Kundalini em seu caminho ascendente, seja ou não o sahasrara o destino final). Portanto, Bhairava (a forma mais esotérica de Shiva) inclui-se na lista de deidades causais somente se for transcendido pela Deusa.

6) As sílabas-semente não acompanham os chackras, mas os elementos que estão instalados nos chackras

Isso é mais simples do que parece. Foi dito a ti que a sílaba-semente (bija ou mantra de uma sílaba só) do muladhara chackra é LAM. Não é. Em nenhuma fonte sânscrita, nem no trabalho truncado e sincrético de Purnananda. E o mantra do svadhisthana chackra não é VAM. Espera...O QUÊ? É simples: LAM é a sílaba-semente do elemento terra, que está instalado no muladhara na maioria das práticas de visualização de chackras. VAM é a sílaba-semente do elemento água, que está instalado no svadhisthana (pelo menos no sistema de 7-chackras que tu conheces). E assim em diante: RAM é a sílaba do Fogo, YAM do Ar, e HAM do Espaço/Éter.

Então, o ponto principal é que os mantras fundamentais associados com os primeiros cinco chackras em qualquer website que encontrares não pertencem a esses chackras, mas sim aos elementos neles instalados. É importante saber isso caso desejes instalar um desses elementos em um lugar diferente. "Nossa! Posso fazer isso?" Absolutamente. Quais efeitos pensas que vais gerar em suas relações se sempre instalar o elemento ar no centro cardíaco? (Lembre-se: YAM é o mantra do elemento Ar/Vento, não do anahata chackra). Já percebeste que os iogues americanos modernos têm relações bem instáveis? Poderá isso estar conectado com o fato de continuamente se invocar o elemento Ar para a dimensão do coração? Naaaahhh...(Posso tirar uma gracinha agora porque somente uma porcentagem pequena dos meus leitores me lerá até aqui). Talvez queiras instalar o elemento terra no coração de vez em quando, porque evidentemente estar grounded faz bem ao coração. Nesse caso, é super útil saber que LAM é o mantra do elemento terra e não do muladhara chackra. (Note que, tradicionalmente, mesmo que os elementos possam ser instalados em diferentes lugares do corpo, a sequência deles não poderá ser alterada. Noutras palavras, os elementos podem "subir" ou "descer" dependendo da prática, mas Terra é sempre o mais "baixo", seguido de Água, etc).


Além disso, algumas das figuras geométricas associadas com os chackras hoje em dia também pertencem mais apropriadamente aos elementos. Terra é tradicionalmente representada por um quadrado amarelo, Água por uma lua crescente, Fogo por um triângulo vermelho apontado para baixo, Ar por um hexagrama ou estrela de seis pontas, e o Espaço/Éter por um círculo. Quando veres essas figuras na ilustração dos chackras, saiba que elas são, na verdade, representações desses elementos e não uma geometria inerente à particularidade de cada chackra.


Isso me traz ao último ponto: mesmo uma fonte sânscrita pode ser confusa. A título de exemplo, no texto do século XVI de Purnananda - a base do popular e moderno sistema de chackras - os cinco Elementos estão instalados nos primeiros cinco chackras do sistema de 7-chackras. Mas isso não funciona realmente, pois em todos os sistemas clássicos o elemento Espaço se localiza na coroa da cabeça, porque é a área em que os iogues experienciam uma abertura expansiva para o espaço infinito. Espaço é o elemento que se dissolve no infinito, e por isso precisa estar no topo da cabeça. Eu poderia especular que Purnananda instalou o Espaço no chackra laríngeo porque ele viveu um tempo de adesão dogmática cresccente à tradição sem reflexão crítica - uma tendência que, infelizmente, segue existindo. E a tradição que ele recebeu foi do ramo Kaula, em que as deidades causais clássicas "desceram" para dar espaço a deidades mais elevadas (especificamente, Bhairava e a Deusa). Os elementos foram acriticamente fusionados às deidades e chackras a que estavam associados previamente. [Dito isto, não é algo óbvio se Purnananda desenhava com base em fontes da tradição Kaula. Em vez de entronar a Deusa no sahasrara, como seria o esperado em um sistema Kaula de 7-chackras, encontramos lá Paramasiva, provavelmente por influência do Vedanta].

Olhem, mal arranhamos a superfície deste assunto. Não, não tô brincando. É realmente complexo, como se percebe ao dar uma folheada na literatura erudita, a exemplo do trabalho de Dory Heilijgers-Seelen ou de Gudrun Buhnemann. Demanda uma paciência incomum e tremendo foco só de ler trabalhos desse nível, imagina produzi-los. Então aqui vai o que eu espero que seja o resultado deste post: alguma humildade. Menos alegações de autoridade quando se fala de temas realmente esotéricos. Talvez menos professores de yoga dizendo a seus estudantes que sabem tudo sobre os chackras. Poxa, eu me sinto abatido pela complexidade das fonte originais, e isso com doze anos de sânscrito na bagagem. 


Estamos falando de territórios inexplorados em sua maior parte. Portanto, quando o assunto é chackras, não alegue que sabe a verdade. Fale a seus estudantes de yoga que todo e qualquer livro sobre chackras apresenta possivelmente apenas um modelo. Então, porque não segurar mais suavemente as crenças que adquiriste com o yoga, enquanto continua aprendendo? Vamos admitir que não compreendemos realmente essas antigas práticas iogues ainda; e, em vez de buscar ser uma autoridade de uma versão supersimplificada delas, podes convidar a ti mesmo e a teus estudantes a olharem mais claramente, mais honestamente, mais cuidadosamente e mais sem julgamentos para a própria experiência interior.


Afinal de contas, tudo o que um mestre do yoga já experienciou está ao teu alcance também.



Imagem do século XVII de vários chackras, atribuída a Rãjasthãn.



P.S.: Este post teve uma circulação mais ampla do que eu estava acostumado (o autor se refere à difusão dessas informações nos Estados Unidos)e algumas pessoas que não me conhecem intepretam meu tom meio seco como arrogância ou sarcasmo. Na verdade, tenho o coração mais doce do que parece. Por favor, leia a minha biografia para se certificar das minhas qualificações para fazer as afirmações que faço. E, se estiveres no Colorado, venha a uma das minhas aulas!


P.S.²: Alguns leitores disseram que não ofereci uma definição precisa de chackra no post. Então aqui vai: "Nas tradições tântricas, chackras (Skt. cackras) são pontos de foco para meditação no corpo humano, visualizados como estruturas de energia semelhantes a discos ou flores nos pontos em que um certo número de nadis ou meridianos convergem. Eles são estruturas conceituais, porém fenomenologicamente fundamentadas, já que tendem a se localizar nos lugares em que os seres humanos experienciam energias emocionais e espirituais, e a forma como são visualizados é reflexo de experiências visionárias tidas por meditantes". 

P.S.³: (do tradutor) O link da matéria original está aqui: The Real Story on Chackras. O autor do texto atende pelo nome de Hareesh, nascido Cristopher Wallis. Sua síntese biográfica encontra-se aqui: Quem é ele?. Ressalto que a grafia de algumas palavras não corresponde ao original apenas em relação à acentuação, por limitação própria do teclado, configurado na língua portuguesa. Espero ter te beneficiado de alguma forma. Namastê!



*Para saber do que se trata o efeito priming,  o Google explica.

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