terça-feira, 22 de abril de 2014

Desparafusando a cabeça com imagens

Após quatro meses cerebralizando para o concurso público da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), na disputa pelo cargo de Analista Legislativo para Jornalistas, área de Mídia Impressa, decidi descansar a cabeça com o vazio blockbusteado de Hollywood. Pré-julgamento generalista, pois nem tudo que sai do forno desse distrito de Los Angeles, Califórnia, é imprestável. Assisti aos dois Capitão América, mas não é deles que quero falar (ok, curta observação: apesar do roteiro mediano, o timing das piadas foi perfeito e arranca verdadeiras risadas a quem cultiva a mente aberta apesar de preferir filmes para pensar&refletir) e sim de Elysium.
Outro filme de ação – ressalto, novamente, que é um gênero que não me excita –, da estirpe ficção científica futurista. Uma distopia na qual a divisão de classes volta a se simplificar (à época de Marx? não exatamente) entre superricos e o resto da população, com uma diferença: os superricos vivem em uma paraíso no espaço estelar, uma satélite onde a medicina atingiu seu pico máximo (sim, qualquer doença ou problema de saúde pode ser curado em questão de segundos) e as pessoas vivem mais de 200 anos. Dos elysianos em geral pouco sabemos, posto que a maior parte da ação acontece mesmo no pobretão planeta Terra, onde as condições de exploração desumana do proletariado&desempregariado mundial voltam a ser o modelo "de gestão" dominante – repetindo, dos habitantes de Elysium só vemos em ação os altos escalões do Governo e da Secretaria da Defesa. Todos os robôs na Terra estão a serviço de Elysium.
Não me sinto à vontade para descrever cronologicamente o suceder das ações, tiros, explosões, costuras, sangue&suor.  Estamos, em tempo geológico, no éon Fanerozoico, era Cenozoica - Quartenária, período Neogeno, época Holoceno. Ou seja, resumos/resenhas/sinopse/críticas de 99% da produção cinematográfica estadunidense são produzidas ad nauseam na internet. Se me importo em ser mais um? De maneira alguma. Vamos seguir um pouco o script...
No elenco, quatro atores fulguram: Matt Damon (o herói que passa pelas situações adversas, luta com os homens maus e ______ no final), Jodie Foster (a vilã que incorpora a Paranoica da Segurança Estatal que Despreza os Direitos Humanos e planeja dar um Golpe de Estado por discordar da política humanista do presidente de Elysium), Alice Braga (a médica que é a amada do Herói desde a infância e luta para salvar a vida da filha, que sofre de leucemia, e cuja única salvação é chegar a Elysium) e Wagner Moura (o ajudante do Herói, em atuação excelente, que possui o aparato técnico e tecnológico para chegar a Elysium; sim, é ele quem transporta desesperados, mediante preços extorsivos, em naves para o satélite paradísiaco – sem muito sucesso).

A trilha sonora do filme consiste basicamente de música eletrônica apta a modulações da frequência cerebral, injetando maior densidade e drama às cenas. Não estou aqui para dizer se o filme é bom ou ruim (no longo espectro dessa polaridade, aproximo-o mais do “bom”), mas para expor certos detalhes futurísticos apresentados. Certamente que houve pesquisa da produção do filme acerca do futuro, alguma sorte de prognósticos especulativos. Isso me interessou.
Lembremos que o filme se passa na metade do século XXII. Alguns pontos que merecem ser anotados: robôs que falam a língua humana e obedecem as ordens às quais foram programados para obedecer(ideia de subserviência robótica); implantes mecânicos no corpo humano aptos a lhe dar superforça e superagilidade; chips neurológicos que armazenam grandes quantidades de informações (a unidade falada no filme é o exabyte: 1exabyte equivale a mais de um 1 bilhão de gigabytes) no cérebro; os robôs podem fazer leituras, em um piscar de olhos, do histórico biológico e social de cada cidadão, além de informar probabilísticamente tendências a ser tomadas e situação atual (batidas cardíacas, que hormônios estão sendo excretados etc); informações identitárias são gravadas no DNA, entre outras coisas, como escudos de energia à prova de balas - balas que são mais rajadas de energia. Energia de quê? Faço ideia não.

Em termos tecnológicos, a aposta do filme ficou mesmo na área de saúde e militar. Em termos visionários, toda a predição distópica se fundamenta no paradigma materialista, como exemplificam as fugazes cenas do cotidiano dos elysianos. Em termos de pancadaria, o suspense criado...oh, isso já é dizer muito: suspense é criado. Mantido? Aí já depende do telespectador. Em termos de atuação, os elogios cabem aos protagonistas; e só. (Ainda fico enervado com certas reações comportamentais pouco verossímeis, como o presidente que quer falar com Jodie Foster, chama-a e ouve toda sorte de impropérios como se fosse um GRANDE OUVIDO IMPOTENTE e não rebate nem pensa em rebater nem faz qualquer expressão de indignação ou discordância nem insinua qualquer resposta.) Em termos de roteiro, penso que o adjetivo “hollywodiano” diz tudo a quem sabe ler nas entrelinhas. 
Concluindo, tentei fazer uma resenha informal do filme e, ao mesmo tempo, apontar traços da minha subjetividade para que o(a) leitor(a) possa ver com mais clareza se esse é um tipo de filme que ele(a) locaria ou não.
Porque eu decidi falar desse filme e não do sensacional Cine Holliúdy?
Velha mania de querer ser imprevísivel para mim mesmo.

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